— Não, Salin — Jun-ho interrompeu.
O silêncio voltou a esmagar o corredor. Jun-ho lentamente afastou a mão do vidro. Ele fechou os olhos por três segundos. Quando os abriu, a fúria cega tinha sumido. No lugar, havia uma lucidez cirúrgica, matemática. O terno estava impecável. O CEO estava de volta.
— Eles estão certos — Jun-ho disse, olhando para o irmão e depois para os conselheiros. — Gregory quer o Cão do Inferno. Ele quer sangue na calçada para justificar o dossiê dele.
Jun-ho ajeitou o relógio no pulso, olhando para o próprio reflexo no vidro da UTI.
— Eu não vou dar sangue a ele. Vou dar algo muito pior. Vou dar o fim do nome dele.
— Vamos sair daqui, Jun — Salin sussurrou perto do seu ouvido, tocando de leve em suas costas. O loiro sabia que, se Jun-ho ficasse mais um minuto olhando para aquela dor, o Cão do Inferno tomaria o controle e Seul inteira queimaria antes do amanhecer.
