Cherreads

Chapter 51 - Chapter 50 - Karaoke Night

No final daquele mesmo dia, Mio, Aoi e Hina foram juntas ao karaokê.

Assim que entraram, Mio foi até a recepção.

— Gostaríamos de um quarto.

A recepcionista ergueu os olhos com um pequeno sorriso.

— Ah? Trouxe mais gente com você hoje?

Mio ficou paralisada por meio segundo.

— Ah... s-sim. Algo assim.

A recepcionista assentiu, como se já soubesse de algo.

— Quarto 5.

Poucos minutos depois, os três entraram na sala de karaokê.

Hina olhou em volta imediatamente, animada.

— Uau... faz tanto tempo que não venho ao karaokê.

— Eu também — admitiu Aoi baixinho.

Hina cruzou os braços e inflou levemente as bochechas.

— Você podia ter nos convidado antes, Mio. A gente nem sabia que você tinha vindo sozinha.

Mio soltou uma risada sem graça enquanto suava nervosamente.

— Tá bom, tá bom... durante as férias de inverno a gente passa um dia inteiro aqui juntas, tá bom? Desculpa...

Ela rapidamente pegou o controle remoto e começou a navegar pelo menu de músicas.

Então, de repente, ela empurrou o controle e o microfone na direção de Aoi.

— Aqui. Desta vez é a sua vez.

Aoi piscou, surpresa.

— Ah... eu primeiro? Por quê? Deixe a Hina ir primeiro.

Hina balançou a cabeça negativamente imediatamente.

— Não. Acho que você deveria ir primeiro, Aoi-chan. Você precisa relaxar um pouco, hehe.

Aoi suspirou baixinho.

- ...Tudo bem.

Ela percorreu o menu cuidadosamente por alguns segundos antes de parar.

— Esta aqui... "O Som Que Nunca Se Torna uma Voz", de Airi Tsukishima.

Mio e Hina bateram palmas levemente de imediato.

— Sim, sim, ótima escolha!

Aoi franziu ligeiramente a testa.

— N-não ria, tá bom?

Hina sorriu gentilmente.

— Não estamos aqui para zombar de você, Aoi.

Mio recostou-se no sofá com um sorriso.

— Relaxa logo. Essa é a graça do karaokê, né? Haha.

Aoi hesitou por um instante...

e então apertou o play.

A música instrumental foi preenchendo lentamente a sala.

Aoi levou o microfone aos lábios.

No início, sua voz saía baixinho.

Macio.

Cuidadoso.

Mas, aos poucos, as emoções escondidas em seu peito começaram a se misturar à música.

Deixei tantas palavras para trás,

enterradas no fundo da minha voz,

fingindo que o tempo poderia curar

o que ainda dói dentro de nós.

Se eu sorrir como antes,

talvez ninguém perceba

que ainda há um som dentro do meu coração

que se recusa a desaparecer.

Não é culpa de ninguém

, mas também não é algo sem importância.

Algumas coisas desaparecem de nossas mãos

antes mesmo de podermos segurá-las...

Enquanto Aoi cantava, Mio a observava em silêncio.

Ela é realmente muito boa...

Nem me lembro da última vez que ouvi Aoi cantar.

Mio inclinou-se ligeiramente em direção a Hina.

— Ei... olha só para ela.

Mas Hina já estava radiante de entusiasmo.

Ela acenou levemente com as mãos no ar, como uma fã em um show, torcendo silenciosamente por Aoi.

Mio não conseguiu conter o sorriso.

— Deixa pra lá... hehe.

Ela bateu palmas suavemente no ritmo enquanto pensava:

Você escolheu essa música de propósito, Aoi-chan...?

Assim que a música terminou, Aoi abaixou o microfone.

Ela respirava levemente agora, com uma fina camada de suor visível em seu rosto.

— Uau... faz muito tempo que não canto...

Então ela estreitou ligeiramente os olhos.

— E não ria de mim, tá bom...?

De repente—

Hina abraçou Aoi.

— Você foi incrível, incrível, INCRÍVEL, Aoi-chan! Eu consegui sentir totalmente suas emoções!

— H-Hina... v-você pode me soltar...? Obrigada pelo elogio, mas—

Aoi parou de repente.

Os olhos de Hina estavam marejados.

Lágrimas já se formavam nos cantos.

— Não desperdice mais seus sentimentos com o Souma! Ele não faz a mínima ideia do quão incrível você é! A gente devia ir ao karaokê mais vezes! Ou fazer compras juntas! Lojas de maquiagem também!

Mio olhou para Hina com os olhos arregalados.

Então suspirou com um pequeno sorriso.

— Ah... então era disso que se tratava.

Hina finalmente soltou Aoi e enxugou as lágrimas rapidamente.

Então, de repente, ela agarrou as bochechas de Aoi com as duas mãos.

— Aoi-chan! Sorria!

Usando os dois dedos indicadores, Hina puxou delicadamente os cantos da boca de Aoi para cima, forçando um sorriso em seu rosto.

E naquele instante—

Uma lembrança veio à tona.

Aoi, de seis anos.

Sentada em silêncio dentro de seu quarto.

O som fraco do choro de Yukiko na cozinha ecoou pela casa.

A pequena Aoi encarava a parede com um olhar vago.

Inexpressivo.

Seus lábios se entreabriram.

Então, de repente,

a porta do quarto se abriu com um estrondo.

Takeo ficou ali parado, respirando com dificuldade como se tivesse corrido vários quarteirões só para chegar até ali.

Sete anos de idade.

Sem fôlego.

Ele correu em direção a ela e agarrou seu braço.

— Vamos brincar, Aoi!

— Eu não quero. Vá para casa.

Takeo ficou paralisado por um instante.

Seu rosto ficou ligeiramente vermelho.

Após alguns segundos de silêncio, ele lentamente tirou um carrinho de brinquedo do bolso.

— Aqui... você pode ficar com meu carro. É o meu melhor.

Aoi deu uma olhada rápida nele.

— Eu não gosto de carrinhos de brinquedo, Takeo. Vá embora.

Takeo colocou o carrinho cuidadosamente no chão.

Então olhou para ela novamente.

— Então vamos fazer outra coisa...

Sua voz tremia.

— Virei aqui todos os dias até conseguir te fazer sorrir de novo.

Aoi permaneceu imóvel.

Continua olhando fixamente para a parede.

Então Takeo, de repente, agarrou o rosto dela com as duas mãos.

— Sorria, Aoi! Vamos, sorria... por favor...

Ele usou os dedos para forçar os cantos da boca dela para cima.

Tentando desesperadamente fazê-la sorrir.

De volta ao presente—

Aoi segurou delicadamente os pulsos de Hina e abaixou suas mãos.

— Hina... você não precisa fazer isso.

Hina piscou.

— Hã? Fazer o quê?

Aoi desviou o olhar ligeiramente.

— Tentando me obrigar a sorrir...

Sua voz suavizou.

— Eu já tenho memórias ligadas a isso.

Hina imediatamente retirou as mãos.

— Ah... d-desculpe, Aoi. Eu me empolguei...

Aoi balançou a cabeça levemente.

— Não, está tudo bem... sério.

Pouco tempo depois, os três saíram do karaokê e foram para casa.

Mais tarde naquela noite—

Dentro de seu quarto, Aoi se jogou na cama com um suspiro cansado.

— Eu devia estar ensaiando a peça...

Ela ficou olhando para o teto.

— Mas estou exausto...

O telefone dela vibrou de repente.

Apareceu uma mensagem de Takeo.

— "Os ensaios desta semana serão intensos, Aoi."

Alguns segundos depois, outra mensagem apareceu.

Esta é de Shinohara.

— "Aoi, se você quiser ajuda extra depois da aula, não tem problema nenhum."

Aoi deu um leve sorriso.

— Preciso mesmo me concentrar...

Mas então—

Uma súbita lembrança passou por sua mente.

Ela e Souma sentados juntos durante o almoço.

Seus olhares se encontrando.

Ambos ficaram vermelhos imediatamente e desviaram o olhar, sem jeito.

Aoi fechou os olhos lentamente.

— Exatamente como a Hina disse...

Sua voz saiu quase num sussurro.

— Preciso tentar esquecê-lo.

O silêncio tomou conta da sala.

Então Aoi puxou o cobertor sobre si e apagou a luz.

— Eu deveria dormir...

Um pequeno suspiro escapou de seus lábios.

— Hoje foi bom... mas preciso estar bem para a apresentação.

Ela fechou os olhos.

E pouco a pouco—

Fragmentos de memórias, emoções, canções, sorrisos e uma dor persistente se misturavam em sua mente.

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