Eu não olhei para trás quando a porta da nossa casa se fechou.
Não me despedi da cozinha onde tomei café da manhã com Naejin horas antes, fingindo que a vida era perfeita. Não olhei para a cidade que se estendia lá fora, cheia de gente, cheia de olhos, cheia de câmeras que poderiam ter visto o que eu fiz.
Eu só olhava para as costas de Jun-ho.
Ele me guiava com cuidado.
Quando chegamos à pista privada, o vento cortante bagunçou meu cabelo, mas Jun-ho já estava lá, cobrindo minha cabeça com a jaqueta dele, criando uma barreira entre mim e o mundo.
— Sobe — ele disse, me ajudando a entrar na aeronave.
Não era um avião comercial. Era o jato particular que eu já tinha visto em revistas, mas nunca tinha entrado. O interior cheirava a couro novo. Era silencioso.
Me sentei em uma das poltronas largas, encolhendo as pernas contra o peito. Jun-ho ficou do meu lado.
— Quer água? — ele perguntou, a voz baixa, aquela voz que ele usa só comigo.
