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Chapter 10 - Capítulo: O Eco do Caos

Parte 3: A Teia de Duas Pontas (O Contrato Perigoso)

Três dias após a queda da Vanguard, o QG na casa de barcos estava silencioso, exceto pelo zumbido dos servidores. Bruce estava sentado em silêncio, testando os limites de sua tecnomancia. Ele conseguia sentir os dados do medidor de energia da rua oscilando, moldando a eletricidade com a mente. Seu corpo adaptável absorvia o estresse mental cada vez mais rápido.

De repente, o monitor principal de Chloe acendeu sozinho. Um alerta vermelho piscou.

— Bruce, James... temos um problema. E uma oportunidade — disse Chloe, a voz tensa. — Nossa caixa postal criptografada na Deep Web acabou de receber um arquivo massivo. Não é apenas uma proposta. É um ultimato de duas frentes.

James se aproximou, largando os pesos com os quais estava treinando. Bruce abriu os olhos, focando na tela.

O arquivo continha duas mensagens distintas, mas interligadas pelo mesmo objetivo.

A Primeira Ponta: A Corporação Rival

A primeira mensagem vinha codificada com a assinatura digital da OmniTek, a maior concorrente da falecida Vanguard.

"Aparato, parabéns pelo trabalho de limpeza com nossos antigos rivais. O FBI fez o trabalho sujo, mas sabemos que vocês forneceram o machado. Queremos contratá-los. O objetivo: invadir os servidores centrais da divisão de biotecnologia da OmniTek e apagar os dados de um projeto secreto. Pagamento: Cinco vezes o valor da Vanguard. Recusa não é uma opção, pois sabemos que vocês operam a partir de São Francisco."

— Eles estão nos ameaçando? — James semcerrou os olhos, os punhos cerrados. — Como sabem que somos daqui?

— O roteamento do ataque da Vanguard usou nós locais. Um analista corporativo de elite conseguiria triangular a cidade, mesmo sem o IP exato — Bruce explicou, calmo. — Mas tem mais, não tem, Chloe?

A Segunda Ponta: O Sindicato do Crime

— Sim — Chloe engoliu em seco, abrindo o segundo arquivo. — A queda da Vanguard quebrou o fornecimento de armas da Red Dragons, mas também expôs os livros caixas de outros chefões do crime de São Francisco que usavam a empresa para lavar dinheiro. O sindicato do crime local colocou um prêmio pela cabeça do "Aparato". Eles contrataram mercenários profissionais do submundo urbano para caçar qualquer hacker suspeito na cidade.

O cenário estava desenhado. Uma megacorporação queria usar o trio para apagar seus próprios podres corporativos sob ameaça de exposição, enquanto as gangues de rua sobreviventes caçavam fantasmas na vida real.

James olhou para Bruce, uma pitada de preocupação misturada com a habitual adrenalina.

— Cara, a gente tem 12 anos. O FBI está varrendo as ruas, a OmniTek está de olho na rede e os criminosos querem nossas cabeças. O que a gente faz?

Bruce se levantou. Com seus 1,89m de potencial futuro já se moldando em sua postura imponente de agora, ele olhou para os dois amigos e sorriu. Seus olhos azuis brilharam com a frieza de quem processava o mundo quarenta vezes mais rápido que qualquer um deles.

— Nós aceitamos o trabalho da OmniTek — determinou Bruce.

— Aceitamos? Sob ameaça? — Chloe piscou, surpresa.

— Sim, mas com as nossas regras — Bruce estendeu a mão para o console central, sentindo a energia correr por seus dedos. — A OmniTek acha que pode nos usar para limpar a sujeira deles. O sindicato do crime acha que pode nos caçar. Nós vamos usar o trabalho da OmniTek para conseguir os dados desse projeto secreto, usar esses dados para barganhar e destruir o sindicato do crime de uma vez só, e depois jogar a OmniTek direto no colo do Agente Vance do FBI.

Bruce olhou para James e Chloe. A aliança deles, nascida em um pátio de escola, agora enfrentaria o batismo de fogo no submundo urbano.

— Eles acham que estão lidando com hackers comuns. Vamos mostrar para essa cidade que o Aparato não obedece a ninguém.

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